sábado, 13 de junho de 2020

SANTO ANTÔNIO: Palavra e Pão



SANTO ANTÔNIO: Palavra e Pão

Usarei essas duas imagens (palavra e pão) para destacar duas dimensões da vida de Santo Antônio:

PALAVRA

A capacidade de oratória de Santo Antônio é notadamente reconhecida. Até os peixes pararam para ouvi-lo. Em sua ladainha recebe os títulos de: Propugnador da Fé, Doutor da verdade, Arca do testamento, Trombeta do Evangelho, Convertedor de pecadores. O dom que Santo Antônio tinha para transmitir a Palavra de Deus era tão divino, que sua língua ficou milagrosamente preservada após a sua morte. Grande conhecedor da Sagrada Escritura e da doutrina, foi proclamado Doutro da Igreja em 1946, com o título de Doctor Evangelicus. Foi o primeiro frade a ensinar Teologia aos demais, com a permissão de São Francisco de Assis através de um bilhete.

PÃO

Em algumas imagens de Santo Antônio, ele tem um pão na mão, fazendo referência ao amor que o mesmo tinha aos pobres. A dimensão caritativa na vida de Santo Antônio é tão admirável quanto sua eloquência. Por causa de sua bela oratória, Santo Antônio ficou bastante conhecido e querido, de modo que recebia muitas doações, as quais repassava aos pobres. Ele ajudou muita gente; inclusive casais impedidos de casar-se por falta do dote. Por causa disso, é tido pelos seus devotos como santo casamenteiro.

Eu diria que Antônio de Pádua (ou de Lisboa) é um santo completo, no sentido de que se tornou uma síntese da reflexão e da ação simultaneamente. No tempo de hoje, estamos precisando de pessoas comprometidas com suas palavras. Sejamos também pessoas do pão e da palavra como este nosso grande santo.

Frei Junior Capuchinho

Maceió, 13 de junho de 2020.


Dia de Santo Antônio - Mensagem


quarta-feira, 10 de junho de 2020

Obter esperança em tempos difíceis



Nossa vida é construída sobre um tripé: fé, esperança e sabedoria. Se faltar uma dessas dimensões, ela não poderá manter-se de pé, ou seja, de um modo equilibrado. Falamos muito sobre a fé e o amor, mas pouco sobre a esperança. Porém, se falta a esperança não encontramos ânimo para ter fé e não encontramos sentido em amar.

Inicialmente, gostaria de esclarecer um aspecto conceitual. Algumas pessoas associam esperança a esperar. Não acho legal, porque se dá uma imagem estática à esperança. Prefiro associá-la a expectativa. Porque, a esperança é dinâmica. Ela é motivadora. Ela nos impulsiona a seguir em frente, mesmo em situações adversas. É um esperar em movimento, em ação.

Vivemos diariamente uma experiência que remete a esperança: todos os dias o sol se põe e vem a noite. Por mais que seja intensa a escuridão, dentro de nós existe uma certeza de que o sol irá despontar no céu e brilhar novamente. Assim também é na vida. Quando vêm os momentos difíceis e dentro de nós há uma certeza de que esses momentos irão passar, então temos esperança.

Surge, então, a questão: “Como obter esperança?”. Numa perspectiva cristã, a esperança, assim como a fé e o amor, é um dom. Um pressente dado por Deus gratuitamente. Isso significa que ela pode ser pedida. Você precisa de esperança? Peça a Deus e Ele lhe dará. Essa imagem da esperança como um dom vindo do alto é bastante positiva, porque indica que ela não vem das situações externas. Isso significa que, quando mais precisarmos dela, não irá nos faltar. Caso contrário, como poderíamos ter esperança quando os eventos externos não nos podem a oferecer, e pior, no momento em que mais precisamos dela. Estaríamos perdidos.

A esperança é um modo de ver a vida. Significa contemplar os acontecimentos com otimismo. Aqui gostaria de fazer uma distinção entre dificuldade e problema. A vida trás dificuldades e desafios, porém os problemas somos nós que fazemos. Somos nós que transformamos nossas dificuldades em problemas. Vou clarificar esse entendimento com uma ilustração. Certa vez, uma comunidade organizou uma festa, que aconteceria no salão após a missa solene. Quando terminou a missa, no momento em que as pessoas estavam se dirigindo para o salão, houve um apagão na cidade. Acabou a energia elétrica. Na hora em que as luzes se apagaram, algumas pessoas que estavam próximas a mim exclamavam: “A luz apagou, acabou a festa. Todo o nosso esforço foi em vão”. Aquelas palavras me incomodaram muito. Para mim, não há coisa mais inútil do que dizer que não há luz quando ela se apaga. Todos estão vendo que a luz apagou. Precisamos imediatamente procurar uma solução, em vez de ficarmos inertes na escuridão. Então, pedi ao sacristão para ir à sacristia e pegar algumas velas. Para acalmar as pessoas, comecei a rezar e elas me acompanharam. Quando o sacristão chegou, acendemos as velas. O ambiente ficou lindo: um jantar à luz de velas. Depois de todos já terem se servido, a equipe de música, que cantou na missa, começou a entoar belas canções ao som do violão, que não precisa de energia elétrica para emitir som. As pessoas que estavam na mesa começaram a cantar juntamente com a equipe de música. Depois as pessoas das outras mesas também entraram no embalo. E a festa encerrou com os participantes de pé, ao redor da equipe de música, cantando alegres. Foi a festa mais bela e alegre que já vi. Nada disso teria acontecido se a luz não tivesse apagado. Às vezes, a dificuldade ou a crise pode ser uma força propulsora para surgir algo melhor, proporcionando um momento inovador e criativo. Tudo vai depender de como vemos e agimos diante da dificuldade.

Outro exemplo. Quando eu era adolescente, ganhei um calendário com imagens belíssimas de pinturas em tela. Para minha surpresa, quando olhei no verso, estava a imagem dos artistas daquelas belas obras em atividade. Eram pessoas que não tinham os braços. Pintavam com o pincel nos lábios ou entre os dedos dos pés. Aqueles que já exerciam esta atividade artística, quando perderam os seus braços, poderiam pensar que sua vida já estava destruída, que tudo poderia ter acabado por ali e que nunca mais iriam pintar. Mas eles não fizeram da dificuldade um problema. Outros, antes de perderem seus membros, talvez nem imaginassem o artista que iria descobrir dentro de si. Parece um paradoxo, pois quando tinham seus braços, não pintavam. Depois de perdê-los tornaram-se pintores. Percebem o que quero dizer. No contexto mais desfavorável, algo bom e extraordinário aconteceu. Isso também é Páscoa. As páscoas da vida. Quando Jesus morreu, dentro de seus seguidores, um sentimento de derrota os invadiu. Foi nesse contexto de sentimento de derrota e de desolação, que algo extraordinário aconteceu: Cristo ressuscitou e o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja em Pentecostes, dando-lhe uma força propulsora incomparável.

Certo dia, os discípulos perguntaram a Jesus: “Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego?”. Jesus respondeu: “Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifeste as obras de Deus.” (Jo 9,2-3). É isso mesmo, dificuldades existem para serem resolvidas. Não adianta se revoltar com os desafios e dificuldades que a vida nos impõe. Passamos por eles, porque estamos vivos. Não se revolte, agradeça e aja. Você está vivo! No dia em que nascemos, nosso barco saiu do porto e entrou no mar. E o mar, às vezes, não está fácil. O mar é a vida. O Papa Francisco, na benção Urbi et Orbi, fez referência à passagem de escritura que fala da tempestade acalmada. E quando a barca em que estavam os apóstolos e Jesus começou a ser violentamente agitada pelas altas ondas e pelo forte vento, bateu um desespero nos apóstolos e eles começaram a gritar: “Vamos perecer!” (Mc 4,38). Você em algum momento da sua vida se sentiu assim? Então veja o que Jesus disse para eles: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” (Mc 4,40). Ou seja: Tenham esperança! Não vamos deixar que o medo nos paralise. No amor, não há temor (I João 4,18). Diante da tempestade, quem está conduzindo o barco só tem duas saídas: ou atravessá-la ou ser destruído por ela. Tudo vai depender de como ele a vê e de como age. Se atravessamos a tempestade do mar da vida com esperança, saímos dela mais fortes e experientes. Ela não será nossa destruição, será nosso aprendizado. Diante da dificuldade, se quisermos superá-la, três passos são importantes: Uma mente tranquila, a decisão certa e ação concreta. Procure um lugar isolado para tranquilizar a sua mente, ali você se aquieta e reza. Deixe o amor de Deus o envolver. Uma vez mais calmo, faça um diagnóstico preciso da situação e depois de uma cuidadosa análise e reflexão, pense na melhor solução a curto, longo e médio prazo. Principalmente quando a questão é complexa, se faz necessário resolvê-la por etapas, começando do ponto mais fácil. Vai resolvendo aos poucos, com paciência e perseverança. Uma vez estabelecida a estratégia, então é hora de entra em ação. As três etapas são importantes, pois não é possível tomar decisões certas sem estar com a mente tranquila. Não é possível ações eficazes sem reflexão. Quando se age sem refletir, ocorre muito desprendimento de energia para pouco resultado, e, às vezes, em vez de resolver o problema, pode-se piorá-lo ou criar um outro. E a reflexão sem ação não produz mudança, porque o que faz as coisas acontecerem é a ação.

Ter esperança. Agir com esperança. E na falta dela, pedir a Deus para Dele recebê-la. Esperança para seguir em frente. Esperança para viver melhor.

 

Frei Junior Capuchinho

Maceió-AL, 10 de junho de 2020.


sábado, 6 de junho de 2020

Mensagem



Essa foto foi tirada durante uma missa na Comunidade Católica Casa da Paz (João Pessoa-PB). Por traz do altar, havia um grande painel do Sagrado Coroação de Jesus. Na foto, a mão de Jesus ficou como se estivesse me amparando. Não percebi que fui fotografado. Trata-se de uma foto espontânea.

Paróquia Santa Maria Mãe

  Igreja-matriz da Paróquia Santa Maria Mãe  Natal-RN, 02/12/2022