quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Nota da CNBB sobre a seca no Nordeste


Foto: Google imagens

“Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos em apuros, mas não desesperançados” (2Cor 4,8)


Nós, bispos do Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil -CNBB, reunidos em Brasília-DF, nos dias 27 e 28 de novembro de 2012, vimos manifestar nossa solidariedade aos irmãos e irmãs que sofrem com a seca no Nordeste. Esta situação, que se prolonga de forma desalentadora, exige a soma de esforços e de iniciativas de todos: governo, Igrejas, empresários, sociedade civil organizada - para garantir às famílias a superação de tamanha adversidade.

Os recursos liberados pelo governo e o auxílio das Cáritas Diocesanas e de outras entidades são, sem dúvida, imprescindíveis para o socorro imediato dos afetados por tão longa estiagem, considerada a pior nos últimos 30 anos. Estas iniciativas têm contribuído para diminuir a fome, a mortalidade infantil e o êxodo. Sendo, porém, a seca uma realidade do semiárido brasileiro, é urgente tomar medidas eficazes que possibilitem a convivência com este fenômeno. Considerem-se, para esse fim, o desenvolvimento de políticas públicas específicas para a região e o aproveitamento das potencialidades das populações locais.

Preocupa-nos o risco de colapso hídrico urbano devido à falta de planejamento para um adequado fornecimento de água. Especialistas na área vêm nos mostrando que há meios mais baratos e de maior alcance social do que os megaprojetos, como a transposição dos recursos hídricos do Rio São Francisco, construção de grandes açudes, dentre outros.

No meio rural, as cisternas para a captação de água de chuva, iniciativa da Igreja Católica, mostraram-se eficientes para enfrentar períodos de estiagem prolongada. É importante ampliar essa iniciativa e também investir na construção de cisternas “calçadão” para a produção de hortaliças. Já a aplicação dos recursos financeiros e técnicos necessita ser ampliada e universalizada, levando-se em conta o protagonismo das populações locais e de suas organizações, no campo e na cidade. Torna-se necessário o controle para que os recursos sejam otimizados e cheguem realmente aos mais necessitados. Um planejamento adequado pode garantir soluções permanentes e duradouras que assegurem as condições de vida digna para todos.

A fé e a esperança, distintivos de nossos irmãos nordestinos, animem seus corações nesta hora de sofrimento e de dor. “Esperando contra toda esperança” (Rm 4,18), confiem-se ao Deus da vida e por seu Filho clamem: “Fica conosco, Senhor, porque ao redor de nós as sombras vão se tornando mais densas, e tu és a Luz; em nossos corações se insinua a desesperança, e tu os fazes arder com a certeza da Páscoa” (DAp 554).

Que o Divino Espírito Santo e Maria iluminem e inspirem a todos na esperança e na construção do bem.

Brasília, 28 de novembro de 2012.

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

FONTE:
http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/sala-de-imprensa/notas-e-declaracoes/10913-nota-da-cnbb-sobre-a-seca-no-nordeste

seria menor


domingo, 25 de novembro de 2012

Origem e Sentido da festa de Cristo Rei

foto:Google Imagens

A festa de Cristo Rei foi criada pelo papa Pio XI em 1925. Instituiu que fosse celebrada no último domingo de outubro. Agora, na reforma litúrgica passou ao último domingo do ano litúrgico como ponto de chegada de todo o mistério celebrado, para dar a entender que Ele é o fim para o qual se dirigem todas as coisas.

A criação desta festa tinha uma conotação política de grandiosidade. Quem, dos mais antigos, não foi da Cruzada Eucarística? Roupinha branca, fita amarela com cruz e dois traços azuis para os melhores. Qual era o comprimento? - Viva Cristo! – Rei! Este amor a Cristo Rei sustentou os cristãos na perseguição do México. Quantos mártires não entregaram a vida proclamando: Viva Cristo Rei! Quem sabe nos falte uma definição maior para o Reino de Cristo. 

A oração da missa assim reza: “Deus que dispusestes restaurar todas as coisas em vosso Filho Amado, Rei do Universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade vos glorifiquem eternamente”. Vejamos os termos: Rei do Universo, vossa majestade. Para este sentido endereça a primeira leitura: A glória do Filho do Homem - “Seu poder é poder eterno que não lhe será tirado e seu reino, um reino que não se dissolverá” (Dn l7,14). Cristo com sua morte e ressurreição foi feito o Senhor da Glória. Seu Reino não tem fim.

Rei da Verdade. 

Mesmo que seja um reino, o é diferente dos reinos e governos do mundo. Jesus se proclama rei diante de Pilatos: “Tu és Rei?” Pergunta Pilatos diante no tribunal. “Tu o dizes, eu sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta minha voz” (Jo 18,37). Jesus é rei da verdade. Pilatos pergunta-lhe: “O que é a verdade?” Mas não espera a resposta. (É comum em nossa vida perguntar as coisas para Deus e não querer saber a resposta). O que é esta verdade que é a identificação com Ele próprio? “Eu sou a Verdade e a vida” (Jo 14,6). Ser verdade para Jesus é ser Ele próprio o testemunho da vontade do Pai: Estabelecer no mundo o domínio da misericórdia amorosa da qual o Pai é a fonte. “Graças a esta vontade é que somos salvos” (Hb 10.10). Durante sua vida procura unicamente fazer a vontade do Pai: “E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia” (Jo.6,39). 

Um reino de sacerdotes. 

Todo povo de Deus tem, como Cristo esta realeza. Esta é o domínio do amor que transforma o mundo. O amor é a primeira fonte da união com Deus. Ele faz de nossos gestos de serviço aos outros, da transformação das estruturas de escravidão em liberdade, um sacerdócio do povo de Deus e de cada um que santifica o universo. Ser cristão é já construir o reino de Cristo no mundo. A modalidade de construir este reino é o serviço fraterno, humilde como Cristo fez na sua morte que o glorificou. Unindo nossa vontade à sua e a vontade do Pai, podemos crer em verdade que Ele é Rei e Senhor. 

Leituras: Daniel 7,13-14; Apocalipse 1,5-8; João 18,33-37

Um rei coroado de espinhos
foto: Google imgens

Contexto:

1. A festa de Cristo Rei, instituída por Pio XI, tinha uma finalidade político-religiosa de mostrar o senhorio de Jesus sobre o mundo, acima das situações de ateísmo e falta de religião. Esta festa foi colocada, na reforma litúrgica, no final do ano litúrgico para dar a perceber que Cristo é o centro do universo e para Ele tudo conflui. 

2. Cristo, diante de Pilatos se declara rei da verdade. Ele conhece toda a verdade, por isso dá por ela a vida. A verdade é o desígnio do Pai de implantar no mundo o reino da misericórdia amorosa. 

3. Todo o povo de Deus é sacerdotal, isto é, está unido a Cristo para a transformação do mundo em um mundo que sirva a Deus no culto verdadeiro que procede de um coração que ama.

Eduardo Rocha Quintella

FONTE:
http://www.catequisar.com.br/texto/materia/celebracoes/cristorei/09.htm

O rito do Consistório


O rito do Consistório

foto: L'Osservatore Romano
PUBLICADO: QUINTA-FEIRA, 22 DE NOVEMBRO DE 2012

No próximo sábado, 24 de novembro, haverá em Roma um Consistório Ordinário Público para a criação de seis novos cardeais, convocado pelo Papa Bento XVI na Audiência Geral do dia 24 de Outubro. É o segundo Consistório celebrado este ano e o quinto do Pontificado de Bento XVI. A fim de destacar a importância deste evento a nível eclesial, postamos novamente algumas informações publicadas por ocasião do último consistório:

Um Consistório é uma reunião solene dos Cardeais, convocados e sob a presidência do Papa. Pode ser Ordinário (para a celebração de algum ato solene ou para a consulta aos cardeais sobre algum assunto de interesse da Igreja) ou Extraordinário (para a consulta aos cardeais em casos graves e de necessidades especiais da Igreja). Apenas o Consistório Ordinário pode ser público.

Os Cardeais, por sua vez, são bispos que constituem o Colégio Cardinalício, que deve eleger o Papa e ajudá-lo em questões de maior importância, seja na Cúria Romana seja à frente de grandes dioceses e arquidioceses. A palavra “cardeal” vem do latim cardo: gonzo da porta, ou seja, uma realidade em torno da qual giram outras realidades.

No início da Igreja eram chamados de cardeais os presbíteros que constituíam o conselho do bispo em uma diocese. A partir do século XI este título ficou restrito à diocese de Roma, mais especificamente aos presbíteros das principais igrejas da cidade, as tituli. Com o tempo, o título foi igualmente concedido aos sete diáconos que regiam as regiões em que se dividia a cidade para o serviço da caridade, as diaconias. Por fim, acrescentaram-se os bispos das dioceses próximas a Roma, as dioceses suburbicárias. Desta tradição provém a atual divisão dos Cardeais em três ordens: Episcopal, Presbiteral e Diaconal.

Feita esta introdução, vamos conhecer o rito do consistório do próximo sábado, que sofreu algumas alterações do Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice em fevereiro, as quais mantém-se nesta celebração.

A celebração inicia-se com a procissão de entrada, ao canto do Tu est Petrus, tradicional antífona de entrada quando o Sumo Pontífice preside um ato litúrgico. Chegando diante do altar, o Santo Padre se ajoelhará por um momento em silenciosa oração.

Chegando à sede, o Papa inicia a celebração com o sinal da cruz e a saudação, como na Missa, e recita a coleta ou oração do dia. Em seguida, se fará a proclamação do Evangelho (Mc 10, 32-45), a homilia do Santo Padre e um momento de silêncio.

Passa-se então ao rito da criação dos cardeais, iniciado pela alocução do Santo Padre:

Fratres carissimi, munus gratum idemque grave sumus expleturi, quod cum ad Romanam Ecclesiam imprimis pertineat totius quoque Ecclesia corpus afficit: in Patrum Cardinalium Collegium nonnullos Fratres cooptabimus, qui artiore vinculo cum Petri Sede devinciantur, Romani Cleri membra fiant et in apostolico servitio Nobiscum strictius cooperentur. Ipsi sacra purpura exornati, in Urbe Roma et in dissitis regionibus intrepidi erunt Christi testes eiusque Evangelii. Itaque auctoritate omnipotentis Dei, sanctorum Apostolorum Petri et Pauli ac Nostra hos Venerabiles Fratres creamus et sollemniter enuntiamus Sancta Romana Ecclesia Cardinales...

(Irmãos caríssimos, nos dispomos a cumprir um ato gratificante e solene de nosso sacro ministério. Ele refere-se antes de tudo à Igreja de Roma, mas interessa também a toda comunidade eclesial: chamaremos a fazer parte do Colégio dos Cardeais alguns irmãos nossos, para que sejam unidos à Sé de Pedro com mais estreito vínculo, se tornem membros do Clero de Roma e cooperem mais intensamente com nosso serviço apostólico. Eles, investidos da sagrada púrpura, deverão ser intrépidas testemunhas de Cristo e de seu Evangelho na cidade de Roma e nas regiões mais distantes. Portanto, com a autoridade de Deus Onipotente, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e a nossa, criamos e proclamamos solenemente Cardeais da Santa Igreja Romana estes nossos irmãos...)

O Papa anuncia os nomes dos novos cardeais e a ordem a que pertencerão (Episcopal, Presbiteral ou Diaconal). Os novos cardeais então levantam-se e fazem a profissão de fé (Símbolo Niceno-Constantinopolitano) e o juramento de fidelidade ao Sumo Pontífice. Em seguida, na ordem em que foram anteriormente anunciados, os cardeais aproximam-se do Santo Padre para receberem as insígnias cardinalícias.

Entrega do Barrete Cardinalício
O barrete é a principal insígnia cardinalícia, só podendo ser usado juntamente com a veste coral. A cor vermelha do barrete indica o sangue que o cardeal se propõe a derramar, se necessário, pela Igreja. O Santo Padre reza a seguinte oração:

Ad laudem omnipotentis Dei et Apostolica Sedis ornamentum, accipite biretum rubrum, Cardinalatus dignitatis insigne, per quod significatur usque ad sanguinis effusionem pro incremento christiana fidei, pace et quiete populi Dei, libertate et diffusione Sancta Romana Ecclesia vos ipsos intrepidos exhibere debere.

(Para o louvor de Deus Onipotente e decoro da Sé Apostólica, recebe o barrete vermelho, sinal da dignidade do Cardinalato, significando que deveis estar pronto a comprometer-se com força, até a efusão do sangue, pelo desenvolvimento da fé cristã, pela paz e tranquilidade do povo de Deus e pela liberdade e difusão da Santa Igreja Romana.)

Entrega do Anel
O Cardeal, como bispo, deve sempre portar o anel, símbolo de sua íntima união com a Igreja. Para o Consistório de fevereiro foi forjado um novo modelo de anel, o qual será igualmente entregue aos cardeais nesse Consistório. Em forma de cruz, possui as imagens dos Apóstolos Pedro e Paulo e uma estrela de oito pontas, símbolo da Virgem Maria. Dentro do anel, em baixo relevo, há o brasão do Santo Padre. À entrega do anel o Papa reza:

Accipe anulum de manu Petri et noveris dilectione Principis Apostolorum dilectionem tuam erga Ecclesiam roborari.

(Recebe o anel das mãos de Pedro e sabei que com o amor do Príncipe dos Apóstolos se reforça o teu amor para com a Igreja.)

Entrega do Título ou Diaconia
Como dito anteriormente, os cardeais dividem-se em três ordens e recebem um Título (nas ordens Episcopal e Presbiteral) ou Diaconia (na ordem Diaconal) de uma igreja de Roma. O Santo Padre entrega a cada cardeal a bula de nomeação e reza:

Ad honorem Dei omnipotentis et sanctorum Apostolorum Petri et Pauli, tibi committimus Titulum (vel Diaconiam) N. In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti.

(Para a honra de Deus Onipotente e dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo te entregamos o Título (ou Diaconia) N. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.)

Segue-se o abraço de paz do novo cardeal com o Santo Padre, que o saúda dizendo: Pax Domini sit semper tecum (A paz do Senhor esteja sempre contigo), ao que responde: Amém. Os novos cardeais são então acolhidos pelos demais membros do Colégio Cardinalício com o abraço da paz.

A celebração prossegue com a Oração do Senhor (Pai Nosso) e uma oração conclusiva, encerrando-se com a bênção do Santo Padre e o canto da antífona mariana Salve Regina (Salve Rainha).

No domingo, 25 de novembro, Solenidade de Cristo Rei, haverá a Concelebração Eucarística dos novos cardeais com o Santo Padre. No início desta celebração, o primeiro dentre os novos cardeais dirige um agradecimento ao Santo Padre.

Nota: As traduções das orações do rito do Consistório foram realizadas livremente pelo autor deste blog, utilizando-se do texto italiano disponível no livreto da celebração. Não são traduções oficiais, mas apenas aproximações ao sentido do texto, e portanto podem estar sujeitas a erros.

REFERÊNCIAS: Código de Direito Canônico e Livreto de Celebração do Consistório.

FONTE

pira mano


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Trilogia de Bento XVI sobre ‘Jesus de Nazaré’ chega hoje às livrarias europeias


Trilogia de Bento XVI sobre ‘Jesus de Nazaré’ chega hoje às livrarias europeias

O livro final da trilogia de Bento XVI sobre ‘Jesus de Nazaré’, que chega hoje às livrarias europeias, apresenta Cristo como alguém que se opõe aos “poderosos” e alertou para o risco de confusão entre Igreja e poder político.

“Às vezes, no curso da história, os poderosos deste mundo colocam-no reino de Jesus sob a sua alçada, mas é precisamente então que ele corre perigo: querem ligar o seu poder ao poder de Jesus e, assim, deformam o seu reino, tornando-se uma ameaça para ele”, escreve o Papa, no volume intitulado ‘A infância de Jesus’.

Bento XVI cita autores da antiguidade, incluindo o poeta latino Virgílio, para falar no anseio de paz que se vivia no tempo de Jesus, e deixa um alerta: “Quando o imperador se diviniza e reivindica qualidades divinas, a política ultrapassa os próprios limites e promete aquilo que não pode cumprir”.

“Deus com a sua verdade, opõe-se à múltipla mentira do homem, ao seu egoísmo e à sua soberba”, prossegue.

O Papa assinala que a mensagem de Cristo pode levar a uma “persistente perseguição pelos dominadores que não toleram nenhum outro reino e desejam eliminar o rei sem poder, mas cujo poder misterioso temem”.

Jesus, diz Bento XVI, “não corresponde à expectativa imediata de salvação messiânica por parte dos homens, que se sentiam oprimidos não tanto pelos seus pecados quanto, sobretudo, pelos seus sofrimentos, a sua falta de liberdade, a sua existência miserável”.

“O homem é um ser relacional: se ficar transtornada a primeira relação fundamental do homem – a relação com Deus -, então nada mais pode estar verdadeiramente em ordem. É desta prioridade que se trata na mensagem e na atividade de Jesus”, acrescenta.

Joseph Ratzinger centra-se na figura que é apresentada pelos evangelhos canónicos, considerando estes livros como as fontes fidedignas sobre a vida de Cristo.

O volume divide-se em quatro capítulos e aborda o arco histórico que começa na apresentação da genealogia de Jesus e termina na sua separação e reencontro com os pais, em Jerusalém, aos 12 anos.

A trilogia sobre ‘Jesus de Nazaré’ começou a ser escrita por Joseph Ratzinger em 2003, antes da sua eleição como Papa, e conclui-se agora, nove anos depois, com um livro apresentado pelo próprio como “uma espécie de pequeno ‘pórtico’”.

A obra chega a Portugal pela mão da Princípia, que a edita nas versões impressa, eletrónica e áudio.

O livro tem uma tiragem inicial de mais de um milhão de exemplares em oito línguas (italiano, francês, inglês, espanhol, alemão, português [europeu e do Brasil], croata, polaco), estando previstas traduções em 20 idiomas.

Fonte: Agência Ecclesia 

LINK:
http://www.cnbbne2.org.br/2012/11/trilogia-de-bento-xvi-sobre-jesus-de.html

AVE MARIA








terça-feira, 20 de novembro de 2012

A clausura e a fé

Quarta-feira, 21 de Novembro - dia mundial de oração

A clausura e a fé 

foto: Google imagens

O dia mundial das claustrais está muito relacionado com o Ano da fé proclamado por Bento XVI. As vidas de mulheres provenientes de países e culturas diversas, inclusive profissionais que renunciam à carreira para se retirar no mosteiro e se dedicar totalmente a Deus na solidão e na oração, na época das agências de rating são uma proposta insólita de vida alternativa.
São mulheres libertadas das sereias da eficiência produtiva e do fascínio de modelos desprovidos de horizontes espirituais. Privilegiam o silêncio em vez do tumulto e do clamor e vivendo deste modo, para os cristãos permanecem uma chamada evidente à reflexão sobre a qualidade da fé professada e para os não crentes constituem um convite a questionar-se sobre Deus: aquele que atrai tão fortemente jovens vidas, consagradas porque à procura de uma amor gratificante.
Ao mesmo tempo, as mulheres na clausura por amor a Deus, enquanto estimulam a fé cristã, por sua vez, são chamadas a responder todos os dias de forma coerente às exigências da sua consagração. O Evangelho dirige quotidianamente também a estas mulheres extraordinárias  a pergunta feita por Jesus aos discípulos. «E vós, quem dizeis que eu sou?». O segredo da fidelidade aos compromissos de pobreza, castidade, obediência que caracterizam a vida e a oração monástica está, em primeiro lugar, na resposta de cada mulher consagrada a esta pergunta de Cristo. Na medida em que a fé em Jesus Cristo é vivida com amor, temos boas razões para sermos fiéis à vocação monástica. Se faltar o amor, tanto na vida cristã como na consagração total a Deus, falta também a fé.
A fé e o amor para escolher o mosteiro alimentam-se com a oração. É característico da vida monástica rezar sempre. Não é uma coincidência que as mulheres consagradas sejam chamadas e conhecidas como orantes e passem grande parte da vida a rezar. A vida de oração não é uma vida preguiçosa e um pouco indolente. Rezar significa entreter-se em conversa com uma pessoa amada. Enquanto o amor resistir, rezar tem um sentido e ajuda a viver coerentemente com o amor. Crescer no amor em vez de retroceder não é óbvio nem fácil. São envolvidas todas as energias da pessoa. No mosteiro há sempre o perigo do cansaço, devido a uma vida aparentemente monótona e repetitiva que contribui para atenuar a fé ou o amor.
Existem duas santas carmelitas de nome Teresa que narraram muito bem o seu percurso de vida consagrada e as dificuldades para a consecução de  uma relação vital e constante com Deus. Teresa de Ávila e Teresa de Lisieux, mulheres santas e mestras da vida espiritual a ponto de serem declaradas doutoras da Igreja, viveram a experiência mística narrada nos seus escritos.
Afinal de contas, a vida claustral exige muito amor. Fundamenta-se no amor. No mundo ele nunca é suficiente. Por conseguinte, estes lugares de oração, na opinião dos Papa, permanecem essenciais para a Igreja que neles haure recursos espirituais para um testemunho fiel. 

FONTE:
http://www.osservatoreromano.va/portal/dt?JSPTabContainer.setSelected=JSPTabContainer%2FDetail&last=false=&path=/news/editoriali/2012/268q12-Mercoled--21-novembre-la-giornata-mondiale-.html&title=A%20clausura%20e%20a%20f%C3%A9%C2%A0&locale=pt

emoção


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

aplaudir


Teóloga brasileira e Cardeal Ravasi apresentam novo livro do Papa

Teóloga brasileira e Cardeal Ravasi 
apresentam novo livro do Papa


(Volume final da trilogia «Jesus de Nazaré» vai chegar às bancas no próximo dia 21)

Cidade do Vaticano, 14 nov 2012 (Ecclesia) – O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, e a teóloga brasileira María Clara Bingemer vão apresentar na terça-feira o novo livro de Bento XVI, que conclui a sua trilogia sobre ‘Jesus de Nazaré’.

O anúncio foi feito hoje pela sala de imprensa da Santa Sé, adiantando que o encontro com os jornalistas vai ter lugar pelas 11h00 (menos uma em Lisboa).

A obra aborda a infância de Jesus e é editada pelo Vaticano e a Rizzoli, com edição portuguesa a cargo da Principia, chegando às livrarias no dia 21 deste mês.

Além do cardeal Ravasi e de María Clara Bingemer, docente na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, vão marcar presença na conferência de imprensa o padre Giuseppe Costa, diretor da Livraria Editora do Vaticano, e o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

No novo livro, o Papa defende que a figura de Cristo se distingue das personagens da mitologia e apela à “seriedade” da pesquisa histórica.

“Jesus não nasceu nem apareceu publicamente no vago ‘outrora’ do mito. Ele pertence a um tempo datável exatamente e a um ambiente geográfico indicado com clareza”, escreve Bento XVI.

O livro vai abordar os chamados “evangelhos de infância”, sobre os primeiros anos de vida de Cristo, e é apresentado pelo próprio Papa como uma introdução aos dois livros precedentes sobre a figura e a mensagem de Cristo.

O primeiro volume de ‘Jesus de Nazaré’ tinha sido publicado em 2007 e era dedicado ao começo da vida pública de Cristo (desde o batismo à transfiguração).

A segunda parte da obra foi apresentada em março de 2011, passando em revista os momentos que precederam a morte de Jesus e a sua ressurreição.

Toda a obra começou a ser escrita no verão de 2003, antes da eleição de Joseph Ratzinger como Papa.

“Espero que o pequeno livro, não obstante os seus limites, possa ajudar muitas pessoas no seu caminho rumo a e com Jesus”, sublinha agora Bento XVI.

A Principia Editora, como já tinha acontecido aquando do segundo volume, foi selecionada no âmbito de uma consulta internacional lançada pela editorial italiana Rizzoli, detentora dos direitos mundiais da obra e responsável pelas negociações para a cedência dos direitos de publicação para cada idioma.

A divulgação e a apresentação da obra em Portugal têm o apoio da Agência ECCLESIA.

OC

FONTE:

sábado, 17 de novembro de 2012

apaixonados


Bento XVI à JMJ Rio 2013: "Deixem-se atrair pelo Cristo Redentor"

Bento XVI à JMJ Rio 2013: 
"Deixem-se atrair pelo Cristo Redentor"

foto: Google Imagem


Cidade do Vaticano (RV) – Foi divulgada, nesta sexta-feira (16/11), a Mensagem de Bento XVI para XXVIII Jornada Mundial da Juventude, que será realizada no Rio de Janeiro em julho de 2013. 

No texto, o Papa renova o convite aos jovens do mundo inteiro para que participem deste importante evento. “A conhecida estátua do Cristo Redentor, que se eleva sobre àquela bela cidade brasileira, será o símbolo eloquente deste convite: seus braços abertos são o sinal da acolhida que o Senhor reservará a todos quantos vierem até Ele, e o seu coração retrata o imenso amor que Ele tem por cada um e cada uma de vós. Deixai-vos atrair por Ele!”

Dividida em oito pontos, a Mensagem ressalta que o ano de preparação para o encontro do Rio coincide com o Ano da fé, no início do qual o Sínodo dos Bispos dedicou os seus trabalhos à «nova evangelização para a transmissão da fé cristã». “Queridos jovens, escreve o Papa, sejais envolvidos neste impulso missionário de toda a Igreja: fazer conhecer Cristo é o dom mais precioso que podeis fazer aos outros.”

Bento XVI reafirma a confiança que a Igreja deposita na juventude em todo o mundo, pedindo que os jovens coloquem seus talentos ao serviço do anúncio do Evangelho. Pedido que, para o Pontífice, assume uma importância especial os jovens da América Latina. 

Citando a missão continental, que os bispos lançaram na V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Aparecida em 2007, o Papa recorda que os jovens constituem a maioria da população no continente – o que representam uma força importante e preciosa para a Igreja e para a sociedade. “Por isso sede vós os primeiros missionários. Agora que a Jornada Mundial da Juventude retorna à América Latina, exorto todos os jovens do continente: transmiti aos vossos coetâneos do mundo inteiro o entusiasmo da vossa fé.”

O Papa pede que esse empenho missionário se manifeste em especial em dois âmbitos: o mundo da internet (o continente digital) e o campo da mobilidade. Quanto ao primeiro, Bento XVI exorta os jovens a apreenderem a usar com sabedoria este meio, levando em conta também os perigos que ele traz consigo. Quanto à mobilidade, o Pontífice recorda que hoje são sempre mais numerosos os jovens que viajam, seja por motivos de estudo ou de trabalho, seja por diversão. Mas também em todos os movimentos migratórios que levam milhões de pessoas, frequentemente jovens, a se transferir e mudar de região ou país, por razões econômicas ou sociais. Também estes fenômenos podem se tornar ocasiões providenciais para a difusão do Evangelho. 

Leia a íntegra da mensagem de Bento XVI:

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI
PARA A XXVIII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE
NO RIO DE JANEIRO, EM JULHO DE 2013

«Ide e fazei discípulos entre as nações!» (cf. Mt 28,19)

Queridos jovens,

Desejo fazer chegar a todos vós minha saudação cheia de alegria e afeto. Tenho a certeza que muitos de vós regressastes a casa da Jornada Mundial da Juventude em Madrid mais «enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé» (cf. Col 2,7). Este ano, inspirados pelo tema: «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Fil 4,4) celebramos a alegria de ser cristãos nas várias Dioceses. E agora estamo-nos preparando para a próxima Jornada Mundial, que será celebrada no Rio de Janeiro, Brasil, em julho de 2013. 

Desejo, em primeiro lugar, renovar a vós o convite para participardes nesse importante evento. A conhecida estátua do Cristo Redentor, que se eleva sobre àquela bela cidade brasileira, será o símbolo eloquente deste convite: seus braços abertos são o sinal da acolhida que o Senhor reservará a todos quantos vierem até Ele, e o seu coração retrata o imenso amor que Ele tem por cada um e cada uma de vós. Deixai-vos atrair por Ele! Vivei essa experiência de encontro com Cristo, junto com tantos outros jovens que se reunirão no Rio para o próximo encontro mundial! Deixai-vos amar por Ele e sereis as testemunhas de que o mundo precisa.

Convido a vos preparardes para a Jornada Mundial do Rio de Janeiro, meditando desde já sobre o tema do encontro: «Ide e fazei discípulos entre as nações» (cf. Mt 28,19). Trata-se da grande exortação missionária que Cristo deixou para toda a Igreja e que permanece atual ainda hoje, dois mil anos depois. Agora este mandato deve ressoar fortemente em vosso coração. O ano de preparação para o encontro do Rio coincide com o Ano da fé, no início do qual o Sínodo dos Bispos dedicou os seus trabalhos à «nova evangelização para a transmissão da fé cristã». Por isso me alegro que também vós, queridos jovens, sejais envolvidos neste impulso missionário de toda a Igreja: fazer conhecer Cristo é o dom mais precioso que podeis fazer aos outros.

1. Uma chamada urgente

A história mostra-nos muitos jovens que, através do dom generoso de si mesmos, contribuíram grandemente para o Reino de Deus e para o desenvolvimento deste mundo, anunciando o Evangelho. Com grande entusiasmo, levaram a Boa Nova do Amor de Deus manifestado em Cristo, com meios e possibilidades muito inferiores àqueles de que dispomos hoje em dia. Penso, por exemplo, no Beato José de Anchieta, jovem jesuíta espanhol do século XVI, que partiu em missão para o Brasil quando tinha menos de vinte anos e se tornou um grande apóstolo do Novo Mundo. Mas penso também em tantos de vós que se dedicam generosamente à missão da Igreja: disto mesmo tive um testemunho surpreendente na Jornada Mundial de Madri, em particular na reunião com os voluntários.

Hoje, não poucos jovens duvidam profundamente que a vida seja um bem, e não veem com clareza o próprio caminho. De um modo geral, diante das dificuldades do mundo contemporâneo, muitos se perguntam: E eu, que posso fazer? A luz da fé ilumina esta escuridão, nos fazendo compreender que toda existência tem um valor inestimável, porque é fruto do amor de Deus. Ele ama mesmo quem se distanciou ou esqueceu d’Ele: tem paciência e espera; mais que isso, deu o seu Filho, morto e ressuscitado, para nos libertar radicalmente do mal. E Cristo enviou os seus discípulos para levar a todos os povos este alegre anúncio de salvação e de vida nova. 

A Igreja, para continuar esta missão de evangelização, conta também convosco. Queridos jovens, vós sois os primeiros missionários no meio dos jovens da vossa idade! No final do Concílio Ecumênico Vaticano II, cujo cinquentenário celebramos neste ano, o Servo de Deus Paulo VI entregou aos jovens e às jovens do mundo inteiro uma Mensagem que começava com estas palavras: «É a vós, rapazes e moças de todo o mundo, que o Concílio quer dirigir a sua última mensagem, pois sereis vós a recolher o facho das mãos dos vossos antepassados e a viver no mundo no momento das mais gigantescas transformações da sua história, sois vós quem, recolhendo o melhor do exemplo e do ensinamento dos vossos pais e mestres, ides constituir a sociedade de amanhã: salvar-vos-eis ou perecereis com ela». E concluía com um apelo: «Construí com entusiasmo um mundo melhor que o dos vossos antepassados!» (Mensagem aos jovens, 8 de dezembro de 1965).

Queridos amigos, este convite é extremamente atual. Estamos passando por um período histórico muito particular: o progresso técnico nos deu oportunidades inéditas de interação entre os homens e entre os povos, mas a globalização destas relações só será positiva e fará crescer o mundo em humanidade se estiver fundada não sobre o materialismo mas sobre o amor, a única realidade capaz de encher o coração de cada um e unir as pessoas. Deus é amor. O homem que esquece Deus fica sem esperança e se torna incapaz de amar seu semelhante. Por isso é urgente testemunhar a presença de Deus para que todos possam experimentá-la: está em jogo a salvação da humanidade, a salvação de cada um de nós. Qualquer pessoa que entenda essa necessidade, não poderá deixar de exclamar com São Paulo: «Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho» (1 Cor 9,16).

2. Tornai-vos discípulos de Cristo

Esta chamada missionária vos é dirigida também por outro motivo: é necessário para o nosso caminho de fé pessoal. O Beato João Paulo II escrevia: «É dando a fé que ela se fortalece» (Encíclica Redemptoris missio, 2). Ao anunciar o Evangelho, vós mesmos cresceis em um enraizamento cada vez mais profundo em Cristo, vos tornais cristãos maduros. O compromisso missionário é uma dimensão essencial da fé: não se crê verdadeiramente, se não se evangeliza. E o anúncio do Evangelho não pode ser senão consequência da alegria de ter encontrado Cristo e ter descoberto n’Ele a rocha sobre a qual construir a própria existência. Comprometendo-vos no serviço aos demais e no anúncio do Evangelho, a vossa vida, muitas vezes fragmentada entre tantas atividades diversas, encontrará no Senhor a sua unidade; construir-vos-eis também a vós mesmos; crescereis e amadurecereis em humanidade.

Mas, que significa ser missionário? Significa acima de tudo ser discípulo de Cristo e ouvir sem cessar o convite a segui-Lo, o convite a fixar o olhar n’Ele: «Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29). O discípulo, de fato, é uma pessoa que se põe à escuta da Palavra de Jesus (cf. Lc 10,39), a quem reconhece como o Mestre que nos amou até o dom de sua vida. Trata-se, portanto, de cada um de vós deixar-se plasmar diariamente pela Palavra de Deus: ela vos transformará em amigos do Senhor Jesus, capazes de fazer outros jovens entrar nesta mesma amizade com Ele.

Aconselho-vos a guardar na memória os dons recebidos de Deus, para poder transmiti-los ao vosso redor. Aprendei a reler a vossa história pessoal, tomai consciência também do maravilhoso legado recebido das gerações que vos precederam: tantos cristãos nos transmitiram a fé com coragem, enfrentando obstáculos e incompreensões. Não o esqueçamos jamais! Fazemos parte de uma longa cadeia de homens e mulheres que nos transmitiram a verdade da fé e contam conosco para que outros a recebam. Ser missionário pressupõe o conhecimento deste patrimônio recebido que é a fé da Igreja: é necessário conhecer aquilo em que se crê, para podê-lo anunciar. Como escrevi na introdução do YouCat, o Catecismo para jovens que vos entreguei no Encontro Mundial de Madri, «tendes de conhecer a vossa fé como um especialista em informática domina o sistema operacional de um computador. Tendes de compreendê-la como um bom músico entende uma partitura. Sim, tendes de estar enraizados na fé ainda mais profundamente que a geração dos vossos pais, para enfrentar os desafios e as tentações deste tempo com força e determinação» (Prefácio).

3. Ide!

Jesus enviou os seus discípulos em missão com este mandato: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo» (Mc 16,15-16). Evangelizar significa levar aos outros a Boa Nova da salvação, e esta Boa Nova é uma pessoa: Jesus Cristo. Quando O encontro, quando descubro até que ponto sou amado por Deus e salvo por Ele, nasce em mim não apenas o desejo, mas a necessidade de fazê-lo conhecido pelos demais. No início do Evangelho de João, vemos como André, depois de ter encontrado Jesus, se apressa em conduzir a Ele seu irmão Simão (cf. 1,40-42). A evangelização sempre parte do encontro com o Senhor Jesus: quem se aproximou d’Ele e experimentou o seu amor, quer logo partilhar a beleza desse encontro e a alegria que nasce dessa amizade. Quanto mais conhecemos a Cristo, tanto mais queremos anunciá-lo. Quanto mais falamos com Ele, tanto mais queremos falar d’Ele. Quanto mais somos conquistados por Ele, tanto mais desejamos levar outras pessoas para Ele.

Pelo Batismo, que nos gera para a vida nova, o Espírito Santo vem habitar em nós e inflama a nossa mente e o nosso coração: é Ele que nos guia para conhecer a Deus e entrar em uma amizade sempre mais profunda com Cristo. É o Espírito que nos impulsiona a fazer o bem, servindo os outros com o dom de nós mesmos. Depois, através do sacramento da Confirmação, somos fortalecidos pelos seus dons, para testemunhar de modo sempre mais maduro o Evangelho. Assim, o Espírito de amor é a alma da missão: Ele nos impele a sair de nós mesmos para «ir» e evangelizar. Queridos jovens, deixai-vos conduzir pela força do amor de Deus, deixai que este amor vença a tendência de fechar-se no próprio mundo, nos próprios problemas, nos próprios hábitos; tende a coragem de «sair» de vós mesmos para «ir» ao encontro dos outros e guiá-los ao encontro de Deus.

4. Alcançai todos os povos

Cristo ressuscitado enviou os seus discípulos para dar testemunho de sua presença salvífica a todos os povos, porque Deus, no seu amor superabundante, quer que todos sejam salvos e ninguém se perca. Com o sacrifício de amor na Cruz, Jesus abriu o caminho para que todo homem e toda mulher possa conhecer a Deus e entrar em comunhão de amor com Ele. E constituiu uma comunidade de discípulos para levar o anúncio salvífico do Evangelho até os confins da terra, a fim de alcançar os homens e as mulheres de todos os lugares e de todos os tempos. Façamos nosso esse desejo de Deus!

Queridos amigos, estendei o olhar e vede ao vosso redor: tantos jovens perderam o sentido da sua existência. Ide! Cristo precisa de também de vós. Deixai-vos envolver pelo seu amor, sede instrumentos desse amor imenso, para que alcance a todos, especialmente aos «afastados». Alguns encontram-se geograficamente distantes, enquanto outros estão longe porque a sua cultura não dá espaço para Deus; alguns ainda não acolheram o Evangelho pessoalmente, enquanto outros, apesar de o terem recebido, vivem como se Deus não existisse. A todos abramos a porta do nosso coração; procuremos entrar em diálogo com simplicidade e respeito: este diálogo, se vivido com uma amizade verdadeira, dará seus frutos. Os «povos», aos quais somos enviados, não são apenas os outros Países do mundo, mas também os diversos âmbitos de vida: as famílias, os bairros, os ambientes de estudo ou de trabalho, os grupos de amigos e os locais de lazer. O jubiloso anúncio do Evangelho se destina a todos os âmbitos da nossa vida, sem exceção.

Gostaria de destacar dois campos, nos quais deve fazer-se ainda mais solícito o vosso empenho missionário. O primeiro é o das comunicações sociais, em particular o mundo da internet. Como tive já oportunidade de dizer-vos, queridos jovens, «senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a vossa vida! [...] A vós, jovens, que vos encontrais quase espontaneamente em sintonia com estes novos meios de comunicação, compete de modo particular a tarefa da evangelização deste “continente digital”» (Mensagem para o XLIII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24 de maio de 2009). Aprendei, portanto, a usar com sabedoria este meio, levando em conta também os perigos que ele traz consigo, particularmente o risco da dependência, de confundir o mundo real com o virtual, de substituir o encontro e o diálogo direto com as pessoas por contatos na rede.
O segundo campo é o da mobilidade. Hoje são sempre mais numerosos os jovens que viajam, seja por motivos de estudo ou de trabalho, seja por diversão. Mas penso também em todos os movimentos migratórios, que levam milhões de pessoas, frequentemente jovens, a se transferir e mudar de Região ou País, por razões econômicas ou sociais. Também estes fenômenos podem se tornar ocasiões providenciais para a difusão do Evangelho. Queridos jovens, não tenhais medo de testemunhar a vossa fé também nesses contextos: para aqueles com quem vos deparareis, é um dom precioso a comunicação da alegria do encontro com Cristo. 

5. Fazei discípulos!

Penso que já várias vezes experimentastes a dificuldade de envolver os jovens da vossa idade na experiência da fé. Frequentemente tereis constatado que em muitos deles, especialmente em certas fases do caminho da vida, existe o desejo de conhecer a Cristo e viver os valores do Evangelho, mas tal desejo é acompanhado pela sensação de ser inadequados e incapazes. Que fazer? Em primeiro lugar, a vossa solicitude e a simplicidade do vosso testemunho serão um canal através do qual Deus poderá tocar seu coração. O anúncio de Cristo não passa somente através das palavras, mas deve envolver toda a vida e traduzir-se em gestos de amor. A ação de evangelizar nasce do amor que Cristo infundiu em nós; por isso, o nosso amor deve conformar-se sempre mais ao d’Ele. Como o bom Samaritano, devemos manter-nos solidários com quem encontramos, sabendo escutar, compreender e ajudar, para conduzir, quem procura a verdade e o sentido da vida, à casa de Deus que é a Igreja, onde há esperança e salvação (cf. Lc 10,29-37). Queridos amigos, nunca esqueçais que o primeiro ato de amor que podeis fazer ao próximo é partilhar a fonte da nossa esperança: quem não dá Deus, dá muito pouco. Aos seus apóstolos, Jesus ordena: «Fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei» (Mt 28,19-20).

Os meios que temos para «fazer discípulos» são principalmente o Batismo e a catequese. Isto significa que devemos conduzir as pessoas que estamos evangelizando ao encontro com Cristo vivo, particularmente na sua Palavra e nos Sacramentos: assim poderão crer n’Ele, conhecerão a Deus e viverão da sua graça. Gostaria que cada um de vós se perguntasse: Alguma vez tive a coragem de propor o Batismo a jovens que ainda não o receberam? Convidei alguém a seguir um caminho de descoberta da fé cristã? Queridos amigos, não tenhais medo de propor aos jovens da vossa idade o encontro com Cristo. Invocai o Espírito Santo: Ele vos guiará para entrardes sempre mais no conhecimento e no amor de Cristo, e vos tornará criativos na transmissão do Evangelho. 

6. Firmes na fé

Diante das dificuldades na missão de evangelizar, às vezes sereis tentados a dizer como o profeta Jeremias: «Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo». Mas, também a vós, Deus responde: «Não digas que és muito novo; a todos a quem eu te enviar, irás» (Jr 1,6-7). Quando vos sentirdes inadequados, incapazes e frágeis para anunciar e testemunhar a fé, não tenhais medo. A evangelização não é uma iniciativa nossa nem depende primariamente dos nossos talentos, mas é uma resposta confiante e obediente à chamada de Deus, e portanto não se baseia sobre a nossa força, mas na d’Ele. Isso mesmo experimentou o apóstolo Paulo: «Trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós» (2 Cor 4,7).

Por isso convido-vos a enraizar-vos na oração e nos sacramentos. A evangelização autêntica nasce sempre da oração e é sustentada por esta: para poder falar de Deus, devemos primeiro falar com Deus. E, na oração, confiamos ao Senhor as pessoas às quais somos enviados, suplicando-Lhe que toque o seu coração; pedimos ao Espírito Santo que nos torne seus instrumentos para a salvação dessas pessoas; pedimos a Cristo que coloque as palavras nos nossos lábios e faça de nós sinais do seu amor. E, de modo mais geral, rezamos pela missão de toda a Igreja, de acordo com a ordem explícita de Jesus: «Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!» (Mt 9,38). Sabei encontrar na Eucaristia a fonte da vossa vida de fé e do vosso testemunho cristão, participando com fidelidade na Missa ao domingo e sempre que possível também durante a semana. Recorrei frequentemente ao sacramento da Reconciliação: é um encontro precioso com a misericórdia de Deus que nos acolhe, perdoa e renova os nossos corações na caridade. E, se ainda não o recebestes, não hesiteis em receber o sacramento da Confirmação ou Crisma preparando-vos com cuidado e solicitude. Junto com a Eucaristia, esse é o sacramento da missão, porque nos dá a força e o amor do Espírito Santo para professar sem medo a fé. Encorajo-vos ainda à prática da adoração eucarística: permanecer à escuta e em diálogo com Jesus presente no Santíssimo Sacramento, torna-se ponto de partida para um renovado impulso missionário.

Se seguirdes este caminho, o próprio Cristo vos dará a capacidade de ser plenamente fiéis à sua Palavra e de testemunhá-Lo com lealdade e coragem. Algumas vezes sereis chamados a dar provas de perseverança, particularmente quando a Palavra de Deus suscitar reservas ou oposições. Em certas regiões do mundo, alguns de vós sofrem por não poder testemunhar publicamente a fé em Cristo, por falta de liberdade religiosa. E há quem já tenha pagado com a vida o preço da própria pertença à Igreja. Encorajo-vos a permanecer firmes na fé, certos de que Cristo está ao vosso lado em todas as provas. Ele vos repete: «Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus» (Mt 5,11-12).

7. Com toda a Igreja

Queridos jovens, para permanecer firmes na confissão da fé cristã nos vários lugares onde sois enviados, precisais da Igreja. Ninguém pode ser testemunha do Evangelho sozinho. Jesus enviou em missão os seus discípulos juntos: o mandato «fazei discípulos» é formulado no plural. Assim, é sempre como membros da comunidade cristã que prestamos o nosso testemunho, e a nossa missão torna-se fecunda pela comunhão que vivemos na Igreja: seremos reconhecidos como discípulos de Cristo pela unidade e o amor que tivermos uns com os outros (cf. Jo 13,35).

Agradeço ao Senhor pela preciosa obra de evangelização que realizam as nossas comunidades cristãs, as nossas paróquias, os nossos movimentos eclesiais. Os frutos desta evangelização pertencem a toda a Igreja: «um é o que semeia e outro o que colhe», dizia Jesus (Jo 4,37).
A propósito, não posso deixar de dar graças pelo grande dom dos missionários, que dedicam toda a sua vida ao anúncio do Evangelho até os confins da terra. Do mesmo modo bendigo o Senhor pelos sacerdotes e os consagrados, que ofertam inteiramente as suas vidas para que Jesus Cristo seja anunciado e amado. Desejo aqui encorajar os jovens chamados por Deus a alguma dessas vocações, para que se comprometam com entusiasmo: «Há mais alegria em dar do que em receber!» (At 20,35). Àqueles que deixam tudo para segui-Lo, Jesus prometeu o cêntuplo e a vida eterna (cf. Mt 19,29).

Dou graças também por todos os fiéis leigos que se empenham por viver o seu dia-a-dia como missão, nos diversos lugares onde se encontram, tanto em família como no trabalho, para que Cristo seja amado e cresça o Reino de Deus. Penso particularmente em quantos atuam no campo da educação, da saúde, do mundo empresarial, da política e da economia, e em tantos outros âmbitos do apostolado dos leigos. Cristo precisa do vosso empenho e do vosso testemunho. Que nada – nem as dificuldades, nem as incompreensões – vos faça renunciar a levar o Evangelho de Cristo aos lugares onde vos encontrais: cada um de vós é precioso no grande mosaico da evangelização!

8. «Aqui estou, Senhor!»

Em suma, queridos jovens, queria vos convidar a escutar no íntimo de vós mesmos a chamada de Jesus para anunciar o seu Evangelho. Como mostra a grande estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o seu coração está aberto para amar a todos sem distinção, e seus braços estendidos para alcançar a cada um. Sede vós o coração e os braços de Jesus. Ide testemunhar o seu amor, sede os novos missionários animados pelo seu amor e acolhimento. 

Segui o exemplo dos grandes missionários da Igreja, como São Francisco Xavier e muitos outros.
No final da Jornada Mundial da Juventude em Madrid, dei a bênção a alguns jovens de diferentes continentes que partiam em missão. Representavam a multidão de jovens que, fazendo eco às palavras do profeta Isaías, diziam ao Senhor: «Aqui estou! Envia-me» (Is 6,8). A Igreja tem confiança em vós e vos está profundamente grata pela alegria e o dinamismo que trazeis: usai os vossos talentos generosamente ao serviço do anúncio do Evangelho. Sabemos que o Espírito Santo se dá a quantos, com humildade de coração, se tornam disponíveis para tal anúncio. E não tenhais medo! Jesus, Salvador do mundo, está conosco todos os dias, até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20).

Dirigido aos jovens de toda a terra, este apelo assume uma importância particular para vós, queridos jovens da América Latina. De fato, na V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Aparecida, no ano de 2007, os bispos lançaram uma «missão continental». E os jovens, que constituem a maioria da população naquele continente, representam uma força importante e preciosa para a Igreja e para a sociedade. Por isso sede vós os primeiros missionários. Agora que a Jornada Mundial da Juventude retorna à América Latina, exorto todos os jovens do continente: transmiti aos vossos coetâneos do mundo inteiro o entusiasmo da vossa fé.

A Virgem Maria, Estrela da Nova Evangelização, também invocada sob os títulos de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Guadalupe, acompanhe cada um de vós em vossa missão de testemunhas do amor de Deus. A todos, com especial carinho, concedo a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 18 de outubro de 2012. 

FONTE:
http://pt.radiovaticana.va/bra/Articolo.asp?c=639750

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

sinceridade


Não espero perfeição de ninguém,
porque perfeição não posso retribuir.
Espero apenas sinceridade.

Chiara Amirante e la Comunità Nuovi Orizzonti


A História de Novos Horizontes   

Em 1991 começa a aventura da Chiara no mundo da rua…

Solo L'amore Resta

Sempre procurei, como acho tente cada pessoa, algo capaz de dar um sentido mais profundo à minha existência Dizia a mim mesma: tenho apenas uma vida, quero despendê-la por algo de grande! Procurava a paz, a liberdade, a fonte capaz de saciar o meu coração sempre inquieto, procurava a alegria e uma frase do Evangelho atingiu-me como um raio…

"Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor… Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo. O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos". (Jo 15, 9-12).

Para mim foi uma descoberta incrível, uma revelação, um verdadeiro choque e mesmo experimentei que quanto mais amava com o amor que Jesus nos ensinou, mais sentia o meu coração transbordar de alegria; uma alegria que podia resistir até às mais terríveis provações da vida.

Aos 21 anos sofri uma doença terrível que me causava dores excruciantes por todo corpo e não havia qualquer tipo de analgésico que as podia extinguir. Até os meus olhos foram duramente atingidos, já tinha perdido oito décimos de vista e, como se tratava de uma dor incurável, crónica, com envolvimento da retina, os médicos disseram-me que ao longo do tempo, certamente hoje seria cega. Essa foi uma experiencia muito dolorosa que durou muito tempo, mas até numa condição tão trágica experimentei a plenitude da alegria que Cristo nos dá, e através da qual posso sentir o prepotente desejo de viver o resto da minha vida levando, testemunhando aquela alegria mesmo às pessoas mais desesperadas, indo à noite para a estação Termini de Roma e para as zonas mais "perigosas" da cidade, atendendo jovens com problemas de drogas e em desvio, com problemas de álcool, SIDA, prostituição, prisão, exclusão. Percebi que era particularmente perigoso ir à noite na rua para uma menina jovem com a minha condição física e proibitiva. Então eu disse uma oração simples:

"Senhor, se foi você que me colocou no coração esse desejo tão maluco de ir à noite pelas ruas, então dê-me a força para conseguir! Para você nada é impossível! Apenas desejo a sua vontade!"

A resposta foi imediata e além de toda a minha imaginação. Na manhã seguinte, quando cheguei ao hospital para as injeções aos olhos que tinha de fazer frequentemente, o médico chefe (chamado de propósito para acertar o que se passava tão inexplicavelmente) veio comunicar-me a notícia incrível:

Chiara, nós estamos sem palavras, tu estás completamente curada! Para quem não acredita isto é um mistério, para quem acredita é uma graça extraordinária: a tua doença desapareceu completa e inexplicavelmente!
Eu conhecia a explicação… e de que maneira! Era a resposta do Senhor à minha simples oração da noite precedente… e Ele respondeu como só Ele pode.

A minha documentação médica foi estudada pelos maiores luminares da Europa e dos Estados Unidos: todos concordaram que não havia nenhuma possibilidade de recuperação. Sem dúvida eu ficaria cego, era apenas uma questão de tempo! Na verdade a minha visão passou de menos oito décimos de vista para uma visão acima do normal: mais de onze décimos. Mesmo inacreditável!

Então eu comecei a andar à noite pelas ruas, impulsionada por um desejo simples: compartilhar a alegria de Cristo Ressuscitado com os seus irmãos que estavam mais desesperados.

Nunca imaginei encontrar um povo tão cheio de jovens sozinhos, marginalizados, profundamente desfigurados no coração e na dignidade, vítimas dos tentáculos dos polvos infernais e da pior das escravidões. Quantas meninas foram vendidas como escravas e forçadas a vender o seu corpo para pessoas sem escrúpulos! Quantos jovens destruídos, presos dentro da ilusão de um paraíso artificial que matou a alma deles! Quantos gritos silenciosos e penetrantes que nunca foram ouvidas por ninguém; quanto desespero, quanta raiva, quanta violência, quanta criminalidade… mas, também, quanta sede de amor, de Deus mesmo ali, na profundidade da escuridão do submundo da rua.

Tive medo e tremi entrando nas pontas dos pés dentro das histórias das pessoas que moravam nas zonas mais perigosas da cidade e imediatamente fiquei impressionada pela sede de ouvir, de verdade, de paz, de amor de… Deus, mesmo dentro daquele inferno. Muitos entre os chamados "criminais", entre os quais alguns tinham antecedentes gravíssimos, não eram absolutamente pessoas más, pelo contrário eram pessoas não amadas; jovens com uma grande sensibilidade, mas com o coração petrificado pelas demasiadas violências sofridas. Outros eram jovens chegados à Itália de países pobres, cheios de boas intenções e de ótimos objetivos, mas infelizmente presos pela criminalidade organizada que não tem piedade. Outros mais pertenciam a famílias ricas (já conhecia alguns deles) atraídos pelas sedutoras propostas do mundo (gozar, ganhar dinheiro, obter sucesso, aparecer) e depois caídos na profunda insatisfação, solidão, náusea subtil que não lhes permitiram encontrar respostas… jovens com um vazio dentro do coração que tentaram enchê-lo com a transgressão e as drogas.

Muitos deles, surpreendidos pela presença de uma jovem na noite em áreas tão perigosas, depois de terem compartilhado comigo um pouco das suas histórias cheias de sofrimento e desespero, diziam-me:

Agora é a tua vez: diz-nos algo sobre ti mesma. O que é que estás a fazer, uma menina como tu, aqui entre nós? Não percebes o nível de perigo? Como pode ser que estás a colocar em risco a tua vida para pessoas que nem conhece? Mas quem encomendou-te isso?…

Com grande simplicidade também partilhava algo da minha história e de como o meu encontro com o Cristo Ressuscitado perturbou a minha existência: finalmente em Jesus tinha encontrado a Verdade que nos liberta, a Vida em abundância, a Via para atingir a plenitude da alegria e da paz pelas quais o meu coração aspirava profundamente. A reação sempre foi em forma de surpresa, curiosidade e de uma incrível abertura:

Se a alegria que podemos ver nos teus olhos vem mesmo de Jesus, e se é Ele que te leva arriscar a tua vida por nós, então conta-nos um pouco deste Jesus!

E eles começavam bombardear-me com perguntas. Na maioria das vezes esses encontros terminavam com um forte e premente brado:

Tira-nos deste inferno da estrada. Queremos conhecer esse Jesus que mudou a tua vida!

Logo percebi que, embora estivesse em Roma, no coração do cristianismo, não conseguia encontrar um lugar para trazer esses irmãos que precisavam desesperadamente de ser bem acolhidos e de encontrar Jesus. Havia inúmeras cantinas, pousadas da juventude, comunidades psicoterapêuticas ou de trabalho, mas nem sequer procurava encontrar uma que pudesse acolher imediatamente os jovens que encontrava pelas ruas e que lhes oferecesse um acompanhamento humano e espiritual, baseado no Evangelho, no desafiante processo de reconstrução do interior e de cura do coração.

Logo tive a certeza que o verdadeiro problema dos muitos jovens que encontrava pelas ruas à noite não era a toxicodependência, o alcoolismo, a pobreza, o desvio, a prostituição, o SIDA, a violência, a criminalidade, etc.; sem dúvida esses eram causas certas… o mal terrível que une os povos do inferno da rua era principalmente a morte da alma.

A Escritura claramente afirma que o salário do pecado é a morte (Rm 6,23) e eu podia contactar, cada noite que eu passava com os meus novos amigos, o drama dessa verdade. Encontrava pessoas na flor da juventude que eram mortas no interior porque tentaram encontrar respostas à necessidade de liberdade, de alegria, de realização que estavam dentro dos seus corações seguindo as propostas atraentes do mundo. Encontraram falsos profetas que os seduziram com os seus paraísos artificiais absurdos (que logo se transformavam em infernos gelados), mas nunca tiveram a possibilidade de encontrar alguém que lhes tivesse testemunhado que Cristo é a Verdade, a Vida, que Aquele que nos criou, fez-se homem para nos indicar a Via para a plenitude da alegria (Jo 15,11) e da paz (Jo 14,27).

Muitos dos primeiros encontros feriram e marcaram profundamente o meu coração.

O encontro com Vyria, vendida pelo irmão ao cruel ambiente da prostituição, presa dentro de câmaras frigoríficas, violada muitas vezes e aterrorizada com queimaduras de cigarro e cicatrizes para evitar que ela pudesse escapar.
O encontro com Maria, que com só 17 anos foi muitas vezes constringida beber o sangue de animais, participar em missas negras e rituais orgiásticos com terríveis violências às crianças.
O encontro com Mauro, um rapaz lindíssimo e escuro de cerca de dois metros de altura, mas reduzido a um esqueleto tão consumido pelas drogas e pelo SIDA, que me disse: "Sabes, há vinte anos que vivo pela rua e és a primeira pessoa que parou perguntar-me como eu estou, sem segundos fins."
O encontro com Claudia, uma outra menina com 16 anos que, pelo facto de ela ter ajudado uma amiga fugir da prostituição, viu aquela mesma amiga receber vários cortes e depois tornar-se refeição para os porcos.
Quanto mais andava pela rua à noite, mais uma certeza se esculpia no meu coração: somente o encontro com Aquele que veio enfaixar as feridas dos corações despedaçados, proclamar libertação aos cativos (Lc. 4,18), nos oferecer a alegra da Ressurreição, podia devolver a vida a esses irmãos na morte.

Foi assim que decidi criar uma comunidade de acolhimento onde propor como regra de vida o Evangelho. Claro que tinha muito medo, realizava que por uma rapariga com 27 anos, sem recursos ou económicos ou profissionais (licenciei-me em Ciência Política), até pensar de encontrar uma casa onde viver com jovens da rua por todos considerados muito perigosos era uma ideia louca. Mas sabia que tudo é possível a Deus (Mc. 9,23).

Em Março de 1994, no completo abandono à Divina Providência, nasceu a primeira Comunidade Novos Horizontes onde comecei viver com os meus novos irmãos encontrados pelas ruas, e propus-lhes viver o Evangelho. Durante estes anos vi como milhares de jovens de extremas experiências verdadeiramente conseguiram reconstruir as suas vidas na luz do amor de Cristo, e passar da morte para a vida..

A resposta que esses jovens deram à proposta de tentar viver literalmente o Evangelho foi mesmo surpreendente e emocionante. A partir dessa primeira casinha (com colchões espalhados pelo chão para acomodar um número crescente de jovens que bateram na porta da comunidade), os centros seguintes multiplicaram-se dentro da Itália e no exterior.

Os mesmos jovens acolhidos imediatamente tiveram a urgência de se comprometerem numa pastoral de rua que tenha como protagonistas não uns hábeis pregadores, mas sim uns testemunhas que saibam proclamar com força que o encontro com o Cristo Ressuscitado resultou nas vidas deles.

Uns (412, muitos deles chegaram diretamente da rua) decidiram consagrar-se (com promessas de pobreza, castidade, obediência e alegria) no desejo de tornar as suas vidas em agradecimento cheio de amor ao amor de Deus, e testemunhar que Cristo veio para nos dar a sua alegria completa (Gv. 17,13).

Acho que posso dizer que, se por um lado, essa experiência nos deu a oportunidade de contemplar os milagres da graça, por outro lado, percebemos que o SOS enviado pelos jovens é muito mais alarmante do que as estatísticas oficiais revelam.

Cerca de 80% dos jovens que encontrámos mostra pelo menos um dos sintomas mais preocupantes que caracterizam o mondo da juventude e da rua no sentido mais amplo: o abuso de álcool, o uso e o abuso de drogas (principalmente charro/baseado, cocaína, e ecstasy), desconforto e desvio a vários níveis, abusos no âmbito da sexualidade, anorexia e bulimia, formas de depressão e transtornos de personalidade, frequentação de seitas de diferentes tipos, profundas feridas na afetividade, graves problemas familiares… e verificámos uma quase total ausência de intervenções.

É realmente urgente que nós começamos a ouvir o grito silencioso e terrível do povo da noite que cada dia o leva para o céu. Ainda são demasiados os nossos irmãos desesperados que continuam a morrer todos os dias nos desertos das nossas cidades. Cada um de nós pode fazer muito pouco, mas juntos Àquele que é amor podemos inventar qualquer coisa para pintar os infernos do mundo com as cores do céu. 
Uma coisa é certa: o amor faz milagres!



FONTE:
http://www.nuoviorizzonti.org/index.php/pt/quem-somosa-aventura-de-novos-horizontes/a-historia-de-novos-horizontes

FOTOS: Google imagens

Paróquia Santa Maria Mãe

  Igreja-matriz da Paróquia Santa Maria Mãe  Natal-RN, 02/12/2022