O rito do Consistório


O rito do Consistório

foto: L'Osservatore Romano
PUBLICADO: QUINTA-FEIRA, 22 DE NOVEMBRO DE 2012

No próximo sábado, 24 de novembro, haverá em Roma um Consistório Ordinário Público para a criação de seis novos cardeais, convocado pelo Papa Bento XVI na Audiência Geral do dia 24 de Outubro. É o segundo Consistório celebrado este ano e o quinto do Pontificado de Bento XVI. A fim de destacar a importância deste evento a nível eclesial, postamos novamente algumas informações publicadas por ocasião do último consistório:

Um Consistório é uma reunião solene dos Cardeais, convocados e sob a presidência do Papa. Pode ser Ordinário (para a celebração de algum ato solene ou para a consulta aos cardeais sobre algum assunto de interesse da Igreja) ou Extraordinário (para a consulta aos cardeais em casos graves e de necessidades especiais da Igreja). Apenas o Consistório Ordinário pode ser público.

Os Cardeais, por sua vez, são bispos que constituem o Colégio Cardinalício, que deve eleger o Papa e ajudá-lo em questões de maior importância, seja na Cúria Romana seja à frente de grandes dioceses e arquidioceses. A palavra “cardeal” vem do latim cardo: gonzo da porta, ou seja, uma realidade em torno da qual giram outras realidades.

No início da Igreja eram chamados de cardeais os presbíteros que constituíam o conselho do bispo em uma diocese. A partir do século XI este título ficou restrito à diocese de Roma, mais especificamente aos presbíteros das principais igrejas da cidade, as tituli. Com o tempo, o título foi igualmente concedido aos sete diáconos que regiam as regiões em que se dividia a cidade para o serviço da caridade, as diaconias. Por fim, acrescentaram-se os bispos das dioceses próximas a Roma, as dioceses suburbicárias. Desta tradição provém a atual divisão dos Cardeais em três ordens: Episcopal, Presbiteral e Diaconal.

Feita esta introdução, vamos conhecer o rito do consistório do próximo sábado, que sofreu algumas alterações do Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice em fevereiro, as quais mantém-se nesta celebração.

A celebração inicia-se com a procissão de entrada, ao canto do Tu est Petrus, tradicional antífona de entrada quando o Sumo Pontífice preside um ato litúrgico. Chegando diante do altar, o Santo Padre se ajoelhará por um momento em silenciosa oração.

Chegando à sede, o Papa inicia a celebração com o sinal da cruz e a saudação, como na Missa, e recita a coleta ou oração do dia. Em seguida, se fará a proclamação do Evangelho (Mc 10, 32-45), a homilia do Santo Padre e um momento de silêncio.

Passa-se então ao rito da criação dos cardeais, iniciado pela alocução do Santo Padre:

Fratres carissimi, munus gratum idemque grave sumus expleturi, quod cum ad Romanam Ecclesiam imprimis pertineat totius quoque Ecclesia corpus afficit: in Patrum Cardinalium Collegium nonnullos Fratres cooptabimus, qui artiore vinculo cum Petri Sede devinciantur, Romani Cleri membra fiant et in apostolico servitio Nobiscum strictius cooperentur. Ipsi sacra purpura exornati, in Urbe Roma et in dissitis regionibus intrepidi erunt Christi testes eiusque Evangelii. Itaque auctoritate omnipotentis Dei, sanctorum Apostolorum Petri et Pauli ac Nostra hos Venerabiles Fratres creamus et sollemniter enuntiamus Sancta Romana Ecclesia Cardinales...

(Irmãos caríssimos, nos dispomos a cumprir um ato gratificante e solene de nosso sacro ministério. Ele refere-se antes de tudo à Igreja de Roma, mas interessa também a toda comunidade eclesial: chamaremos a fazer parte do Colégio dos Cardeais alguns irmãos nossos, para que sejam unidos à Sé de Pedro com mais estreito vínculo, se tornem membros do Clero de Roma e cooperem mais intensamente com nosso serviço apostólico. Eles, investidos da sagrada púrpura, deverão ser intrépidas testemunhas de Cristo e de seu Evangelho na cidade de Roma e nas regiões mais distantes. Portanto, com a autoridade de Deus Onipotente, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e a nossa, criamos e proclamamos solenemente Cardeais da Santa Igreja Romana estes nossos irmãos...)

O Papa anuncia os nomes dos novos cardeais e a ordem a que pertencerão (Episcopal, Presbiteral ou Diaconal). Os novos cardeais então levantam-se e fazem a profissão de fé (Símbolo Niceno-Constantinopolitano) e o juramento de fidelidade ao Sumo Pontífice. Em seguida, na ordem em que foram anteriormente anunciados, os cardeais aproximam-se do Santo Padre para receberem as insígnias cardinalícias.

Entrega do Barrete Cardinalício
O barrete é a principal insígnia cardinalícia, só podendo ser usado juntamente com a veste coral. A cor vermelha do barrete indica o sangue que o cardeal se propõe a derramar, se necessário, pela Igreja. O Santo Padre reza a seguinte oração:

Ad laudem omnipotentis Dei et Apostolica Sedis ornamentum, accipite biretum rubrum, Cardinalatus dignitatis insigne, per quod significatur usque ad sanguinis effusionem pro incremento christiana fidei, pace et quiete populi Dei, libertate et diffusione Sancta Romana Ecclesia vos ipsos intrepidos exhibere debere.

(Para o louvor de Deus Onipotente e decoro da Sé Apostólica, recebe o barrete vermelho, sinal da dignidade do Cardinalato, significando que deveis estar pronto a comprometer-se com força, até a efusão do sangue, pelo desenvolvimento da fé cristã, pela paz e tranquilidade do povo de Deus e pela liberdade e difusão da Santa Igreja Romana.)

Entrega do Anel
O Cardeal, como bispo, deve sempre portar o anel, símbolo de sua íntima união com a Igreja. Para o Consistório de fevereiro foi forjado um novo modelo de anel, o qual será igualmente entregue aos cardeais nesse Consistório. Em forma de cruz, possui as imagens dos Apóstolos Pedro e Paulo e uma estrela de oito pontas, símbolo da Virgem Maria. Dentro do anel, em baixo relevo, há o brasão do Santo Padre. À entrega do anel o Papa reza:

Accipe anulum de manu Petri et noveris dilectione Principis Apostolorum dilectionem tuam erga Ecclesiam roborari.

(Recebe o anel das mãos de Pedro e sabei que com o amor do Príncipe dos Apóstolos se reforça o teu amor para com a Igreja.)

Entrega do Título ou Diaconia
Como dito anteriormente, os cardeais dividem-se em três ordens e recebem um Título (nas ordens Episcopal e Presbiteral) ou Diaconia (na ordem Diaconal) de uma igreja de Roma. O Santo Padre entrega a cada cardeal a bula de nomeação e reza:

Ad honorem Dei omnipotentis et sanctorum Apostolorum Petri et Pauli, tibi committimus Titulum (vel Diaconiam) N. In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti.

(Para a honra de Deus Onipotente e dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo te entregamos o Título (ou Diaconia) N. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.)

Segue-se o abraço de paz do novo cardeal com o Santo Padre, que o saúda dizendo: Pax Domini sit semper tecum (A paz do Senhor esteja sempre contigo), ao que responde: Amém. Os novos cardeais são então acolhidos pelos demais membros do Colégio Cardinalício com o abraço da paz.

A celebração prossegue com a Oração do Senhor (Pai Nosso) e uma oração conclusiva, encerrando-se com a bênção do Santo Padre e o canto da antífona mariana Salve Regina (Salve Rainha).

No domingo, 25 de novembro, Solenidade de Cristo Rei, haverá a Concelebração Eucarística dos novos cardeais com o Santo Padre. No início desta celebração, o primeiro dentre os novos cardeais dirige um agradecimento ao Santo Padre.

Nota: As traduções das orações do rito do Consistório foram realizadas livremente pelo autor deste blog, utilizando-se do texto italiano disponível no livreto da celebração. Não são traduções oficiais, mas apenas aproximações ao sentido do texto, e portanto podem estar sujeitas a erros.

REFERÊNCIAS: Código de Direito Canônico e Livreto de Celebração do Consistório.

FONTE

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