Fano

Fano (veste papal)
O Santo Padre Bento XVI utilizou o Fano (veste de seda listrada de branca e dourada) durante a Santa Missa de Canonização de hoje.


O fano ou fanhão (do latim pannus: tecido, e este de fanon, antiga palavra germânica: pano) é uma veste reservada ao papa, para uso na missa pontifical.

O fano é uma espécie de pequena capa de ombros, como uma dupla murça (mozeta) ou camalha de seda branca com listras douradas e avivada de vermelho. Ela consiste de dois círculos de tecido, com uma abertura no centro, para dar passagem à cabeça. Os círculos são presos um ao outro, por esta abertura, ficando as bordas livres. No círculo inferior, que é ligeiramente menor, há uma fenda vertical, para permitir a perfeita passagem da cabeça. Na parte anterior, do círculo superior há uma cruz bordada a ouro. O modo de se colocar o fano é o mesmo usado para se por o amicto, na Idade Média, e até hoje. Seu uso é o seguinte: depois do diácono ter revestido o papa com a alva, o cíngulo, o subcintório e a cruz peitoral; ele pega o fano pela abertura, passa o círculo inferior pela cabeça do papa, e o ajusta nos ombros, girando a abertura para trás. O círculo superior é mantido sobre a cabeça. A seguir o papa recebe a estola, a dalmática e a casula e o círculo superior é baixado sobre estes paramentos, cobrindo os ombros do pontífice, como um colar. Por cima do fano, é colocado o pálio.

O fano é citado no Ordo Romanus mais antigo, já sendo usado no século VIII. Era então chamado anabologium ou anagologium, não sendo neste período, reservado exclusivamente ao papa. não se pode afirmar a data exata. A partir do fm do século XII, o fano passou a ser de uso exclusivo do papa, por determinação expressa de Inocêncio III. Foi então chamado oral, sendo chamado fano, apenas no século seguinte. Mas, desde o século VIII, o papa só usou o fano na missa solene. O uso atual, pelo qual o papa é revestido com amito sob a alva e depois o fano surgiu no fim da Idade Média. O fano, apesar de pouco usado, nunca foi abolido, sendo que o Papa João Paulo II o usou por algumas vezes. Por privilégio único no mundo, era também usado pelos Patriarcas de Lisboa.

Não há nenhuma informação quanto à forma do fano e do material de que foi feito, em épocas remotas. No fim da idade Média era feito da seda branca, como demonstra o inventário de 1295, do tesouro papal, bem conhecido pelos numerosos trabalhos de arte. A ornamentaçã preferida do fano eram as listras estreitas do ouro e de alguma cor, especialmente vermelho, tecidas na seda. Depois do século XV, o fano passou a ter forma quadrada; a atual forma de colar parece ter surgido no século XVI.

FONTES: 

 




  


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